quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Projeto da Rosenbaum Design (Restaurante, São Paulo)
Detalhe do painel que reúne a miscelânea de objetos iluminados de baixo para cima
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A marquise marca o acesso principal ao Dalva e Dito |
Com o restaurante Dalva e Dito, a proposta dos chefes de cozinha Alex Atala e Alain Poletto era resgatar a culinária colonial brasileira. O conceito incluía o resgate do clima de um tempo em que as famílias se reuniam em volta da mesa da cozinha para conversar e saborear a comida farta servida em tachos. Essa nostalgia foi o ponto de partida para o projeto do restaurante, localizado na região dos Jardins, na capital paulista, e cujo nome já sugere a intimidade familiar.
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| A caixa lateral, que não toca o solo, é vedada pelos muxarabis que delimitam o amplo terraço |
A concepção do ambiente ficou a cargo de Marcelo Rosenbaum, que passou uma semana na cidade mineira de Ouro Preto pesquisando as construções, a relação entre suas medidas, e observando as características dos espaços públicos da era colonial. A viagem inspirou uma ambientação inicialmente mais complexa, quase barroca, mas que aos poucos foi perdendo os excessos para se transformar em um projeto mais enxuto, uma releitura contemporânea do colonial brasileiro.
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O recorte circular expõe o interior da parede em superadobe |
As dimensões permitiram a divisão fluida e funcional da área em térreo com bar, salão principal e terraço integrado, além de subsolo com lounge e mais um bar - somados, eles oferecem cerca de 250 lugares. A linguagem artesanal caracteriza a construção e os interiores, começando pelas paredes de aspecto rústico, em composição harmoniosa com o piso de
ladrilhos hidráulicos. Elas foram executadas por
jovens de grupos de risco social, capacitados pelo Instituto Arapoty para trabalhar com o superadobe,técnica de baixo custo surgida na Índia nos anos 1970. “Todo projeto precisa ter uma proposta de inclusão social. Esses jovens representam uma mão-de-obra qualificada para atuar no restauro de obras com adobe”, ressalta Rosenbaum.A técnica emprega sacos de polipropileno como fôrma para o barro. O material é socado até atingir a compactação adequada e, a seguir, os sacos são empilhados, com linhas de arame farpado entre as fiadas para dar amarração.As etapas finais consistiram na remoção do plástico, com a ajuda de fogo, e no acabamento das superfícies, tonalizadas com corantes herbais.
O terraço integra-se ao salão principal por meio de grandes aberturas
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| Bar da entrada, com tampo de peroba maciça e lustre de prata adquirido em antiquário. A porta e a cobertura empregam muxarabis |
Influências da arquitetura moura, trazidas ao Brasil pelos portugueses na era colonial, também se fazem presentes no cenário. Entre elas estão o painel de Athos Bulcão, executado com cerâmica branca e azul - cores que predominam na azulejaria portuguesa a partir do século 17 -, e os muxarabis, que respondem pelos vedos laterais e de cobertura do terraço. Eles deixam vazar uma luz filtrada, que cria desenhos sobre as superfícies internas, contribuindo para a atmosfera leve e agradável do espaço.
Ao buscar elementos artesanais para a decoração, Rosenbaum coloca à disposição dos frequentadores da casa um rico conjunto de informações que valoriza a cultura popular brasileira. Logo no salão principal, o vistoso rosário de cerâmica numa das paredes é de autoria de Joelson Gomes, artista plástico pernambucano que já apresentou seus trabalhos em diversas exposições no Brasil e no exterior. No subsolo, onde forro e paredes foram revestidos por painéis melamínicos no padrão freijó, o destaque fica para os grafites de Derlon Almeida, que remetem à técnica da xilogravura e mostram um realismo fantástico inspirado no cotidiano da população do Recife. Na parede oposta, o painel laminado serve de fundo à miscelânea de itens que pertenciam ao acervo pessoal de Rosenbaum e incluem ex-votos, fragmentos, artefatos indígenas, peças cerâmicas, objetos vindos da cidade pernambucana de Caruaru. Nesse mesmo piso, foram dispostos o lounge e a grande mesa comunitária sob uma linha de luminárias antigas.
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A iluminação suave em tom amarelado cria ambientação intimista no salão principal |
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| No salão principal, o rosário com grandes contas cerâmicas é do artista plástico Joelson Gomes e o painel de fundo foi criado por Athos Bulcão |
Seguindo esse mesmo conceito, as mesas foram confeccionadas com sobras de pisos de demolição, assim como o balcão do bar, que ostenta tampo de peroba maciça. As cadeiras palhinha fazem uma referência direta à casa grande das fazendas. A ambientação é complementada por objetos adquiridos em antiquário, tal como o lustre colonial de prata, pendurado em posição de destaque sobre o bar da entrada.
O contraponto ao cenário artesanal fica a cargo da cozinha high tech, planejada pelo chefe Alain Poletto e separada do salão principal por grandes panos de vidro. Transparentes, eles permitem ver toda a movimentação dos funcionários e os equipamentos de avançada tecnologia.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Café cool em Veneza
Veja a decoração com estampas geométricas e cores fortes da cafeteria do Palazzo delle Exposizioni della Biennale, em Veneza
Tomar um café é pouco para quem entra nesse espaço. É possível ficar ali por horas, só reparando nos detalhes da decoração, assinada pelos artistas Rirkrit Tiravanija, Tobias Rehberger e Massimo Bartolini, em parceria com a marca finlandesa de móveis Artek. Estampas geométricas, peças de design e muitas cores são os principais destaques no visual da cafeteria do Palazzo delle Exposizioni della Biennale, em Veneza. O resultado é tão moderno, que Tobias Rehberger foi premiado com o Golden Lion, na 53ª Exibição de Arte da Bienal, pelo projeto. Abaixo, mais fotos:
sábado, 22 de janeiro de 2011
Projeto da Shibuya Booksellers - Japão
O projeto de interiores desenvolvido por Hiroshi Nakamura e a NAP architects em 2008 para esse estabelecimento de Shibuya, no Japão, consistiu em juntar uma editora e uma livraria. A combinação é feita com a loja de livros na frente gradualmente se transformando no departamento de publicação.
O espaço é comprido lateralmente, o que possibilita a mescla dos dois ambientes. As paredes são preenchidas com prateleiras e no fundo fica o balcão onde podem ser entregues propostas de publicação. A idéia é possibilitar o acompanhamento do processo de produção de um livro. Mais interessante ainda é o fato dos livros serem organizados em ordem cronológica fazendo com que os clientes circulem pelo lugar como se fizessem uma viagem no tempo.
Mais detalhes sobre esse e outros projetos de Hiroshi Nakamura e a NAP podem ser encontrados em http://www.nakam.info/quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Apartamento de 25m² super descolado, feminino e funcional
O apartamento da advogada Denise Tunchel, com apenas 25m² deixou de ser apertamento e se tornou um apartamento alegre e super descolado, isso porque, Denise que é fã de Desing cuidou da decoração como se fosse especialista “Sempre gostei do tema. Tanto que, assim que vi a mesa de centro, sabia que um dia teria uma.” Mas não foi de primeira que Denise acertou não...“Quando me mudei, comprei coisas em exagero, sem medir, e acabei precisando me desfazer delas”, revela.
Fonte: Revista Minha Casa - Editora Abril - Ed. Agosto de 2010
Reportagem Visual Paulo Lagreca
Fotos Marco Antonio
Uma das últimas grandes aquisições foi a estante que se estende pela parede de 4m.Com o móvel cheio de nichos, a moradora conseguiu organizar livros, objetos decorativos e mimos como os muitos porta-retratos. O móvel é composto por duas unidades Access pequenas (1,20 x 0,30 x 0,91 m) e uma grande (1,40 x 0,30 x 2,02 m), da Tok & Stok. De MDF com laminado melamínico, a combinação sai por R$ 1018.
A manutenção simples do piso frio, de cerâmica, agiliza a limpeza da quitinete. Como Denise tem duas gatinhas, isso é fundamental. Quando recebe os amigos, o que é frequente, Denise oferece, além do sofá, as almofadas com jeitinho de futon, tudo bem informal - cada uma delas sai por R$ 140, na Cinerama. Do lado direito do refrigerador, o rack Access é da mesma linha do modelo de parede. Mede 1,20 x 0,40 x 0,39 m, e é encontrado na Tok & Stok por R$ 220.
Peça-chave, a mesa de centro Chiclets é assinada pelo designer Felipe Reis. Tem rodízios e foi produzida em tamanho especial para Denise: 1x0,75x0,20m. Saiu por R$ 420 há cerca de um ano. O porta guarda-chuva modelo Hidrante é um cinzeiro sem tampa! Foi comprado nas Lojas Tokyo, por R$ 216. O sofá Origami (1,80 x 0,80 x 0,85 m) de Fernando Jaeger custou R$ 1800 (peça de mostruário), e os barquinhas coloridos que Denise encontrou em uma loja da rua do Gasômetro, em São Paulo, por R$ 10, foram personalizados por Denise com papéis colados.
A quitinete de Denise tem uma planta diferente da convencional, além de um pilar redondo estrutural (1). Para ganhar área livre e ter a sensação de amplitude, Denise investiu em poucos móveis. Na parte mais larga, foi possível reservar uma área para a sala, com o sofá e as estantes, e outra para o quarto, representado pela cama suspensa (2). O pé-direito alto, de 2,90 m, facilitou a instalação do móvel. A televisão fica na parede oposta à da janela, o que possibilita que seja vista do sofá e da cama. O janelão acolhe a entrada de muita luz natural, e por causa disso, a solução foi adotar uma cortina curta, que não sobrecarregasse o ambiente, já enxuto. O tecido encorpado filtra a entrada de luz e colabora na hora de ver TV.
Charmosa, a minigeladeira fica em plena sala. Dessa forma, poupa espaço na cozinha, que tem apenas 2,20 m2. Mas, para que fizesse parte da decoração do ambiente mais importante do apê, Denise elegeu um modelo retrô e de cor forte, sobre o qual arruma copinhos em uma bandeja – assim, ainda facilita o serviço no dia a dia. O modelo Retrô (48x51x80cm), de 76 litros, é da Brastemp. Fast Shop, R$ 897,83 (ou 10 x R$ 99,90). Para completar, o pinguim arremata o visual descolado.
Fonte: Revista Minha Casa - Editora Abril - Ed. Agosto de 2010
Reportagem Visual Paulo Lagreca
Fotos Marco Antonio
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Design de interiores em navios de cruzeiros
Um pouco de história sobre cruzeiros marítimos
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Sala de estar do navio Prinzessin Victoria. |
O primeiro navio projetado exclusivamente para cruzeiros marítimos foi o Prinzessin Victoria, em 1900. Na primeira metade do século passado as viagens transtlânticas que duravam em média 4 dias empulsionaram o mercado e fizeram com que os fabricantes adicionassem luxo aos navios, sendo o Titanic o ápice da época.
Com a popularização da aviação ná decada de 60 as pessoas que necessitavam fazer viagens intercontinentais trocaram gradativamente os navios pelos aviões, levando as empresas de cruzeiro a uma forte crise. Após quase 10 anos de crise o mercado conseguiu reerguer-se apresentando os cruzeiros marítimos como uma opção de férias para a população dos Estados Unidos. Poucos anos depois o hábito de férias em cruzeiros popularizou-se em todo o planeta, aumentando cada vez mais a procura e atingindo diversas classes sociais.Os interiores de um navio de cruzeiro
Todas as operadoras de cruzeiros (MSC, Costa, Royal Caribbean, Carnival e outras) sabem muito bem quais os quesitos que um cruzeiro deve levar em consideração para satisfazer os desejos de seus passageiros: alimentação, atendimento, lazer, entretenimento, itinerário e conforto. Tão importante quanto estes itens citados são as instalações e os ambientes dos navios.Criar uma atmosfera agradável dentro do navio com ambientes bem projetados é em parte função do designer de interiores. E esta parte pode ser decisiva na satisfação final do passageiro com o cruzeiro e consequentemente com a operadora do mesmo.
Dentro de um navio destes você encontra milhares de cabines, gigantescas piscinas, dezenas de restaurantes e bares, cinema, teatro, cassino, lojas e tudo o que você possa imaginar em um complexo de diversão. No recém inaugurado Oasis of the Seas há inclusive um mini Central Park, um jardim com mais de 12 mil plantas e 56 árvores, algo incrível se levarmos em consideração que tudo isto esteja dentro de um navio!
Cabine do navio MSC. Espaço otimizado ao máximo. |
Os navios projetados nos últimos 20 anos possuem em comum uma decoração extremamente luxuosa com muito brilho, cores, texturas, neon e obras de arte. A explicação para esta linha no design de interiores talvez possa ser explicada pelo fato da maioria das pessoas ligarem a palavra “cruzeiro” à palavra “luxo”. Por este e outros motivos as operadoras querem cada vez mais apresentar aos seus clientes produtos que excedam suas expectativas com decorações que nenhum passageiro possa imaginar. A intenção com este design não é transportar o passageiro apenas fisicamente para lugares exóticos e inesperados, é também para transportá-los mentalmente para um mundo de fantasia, um mundo encantado.
Falando na questão funcional um dos grandes desafios dos projetistas é criar ambientes que diminuam a sensação de claustrofobia dos passageiros. Na arquitetura do navio isto é feito principalmente com um átrio central bem aberto e arejado, aumentando a sensação de espaço interno. Já em outros espaços isto deve ser feito por meio do uso de cores e materiais corretos.
Átrio central do navio Princess Grand Class. Design carregado com muito neon, texturas e afins. |
A complexidade de um projeto de interiores deste porte é algo realmente impressionante, além da parte estética que eu comentei, há também a questão funcional dos ambientes. As cabines são geralmente apertadas e o espaço deve ser o mais otimizado possível, corredores enormes devem ter uma largura mínima para casos de saída de emergência, revestimentos devem ser adequadas de acordo com cada ambiente e mais algumas centenas de detalhes.
Não vou entrar em questões técnicas até porque não tenho conhecimento avançado na área. A intenção deste post é apenas apresentar a todos que o design de interiores é algo mais amplo do que apresentado na grande maioria de escolas/faculdades do Brasil. Aproveito para deixar a seguir algumas sugestões de livros sobre o assunto. Infelizmente toda a bibliografia que encontrei está na língua inglesa.
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